Desvio
Eu tenho uma dor que me consome.
Essa dor me some. Não soma. Me faz sumir aos poucos.
Me come. Corroi, corrompe. Não assume. Apenas some.
Tem uma viga no meio da sala. E tem a dor, que se esconde.
Faz um jogo. Mostra-esconde.
Cabra-cega, gato-mia. A gente joga. A gente brinca.
Ela me pega, bruxa-da-cola. Ela me prende.
Bate na minha mão? Me liberta.
Tem meu pensamento. Joga também.
Eles competem.
Só eu ganho no final.
E ganhar é perder. Te deixar ir.
A dor é o meu pensamento que te quer.
Incandescências. Chamas.
Indecências. Fogo.
Decências. Queimaduras.
Online
Eu e as duas pessoas mais chatas do mundo: o tédio e a insônia.
Insônia
Eu e as palavras num diálogo descontínuo. Profilaxia, asfixia, crença, romance, negação. Figuras de linguagem vestindo lingerie passeavam no meu quarto e faziam boquinhas para o espelho. Travestis. Um consolo. Vibrou na sinapse, explodiu. Tomei um rivotril, não tomei banho.
Li um livro. Minhas palavras combinam melhor, são mais sagazes. Algozes de mim. Gozes, quero que tu. Em mim.
Pega um avião e desce na minha cama. Monto uma pista, maior que um metro e noventa. Cabe em mim. Não me caibo mais. Estou aí.
Minha alma clandestina, com destino. Definida. Finda a ida. Cheguei, bonito.
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