segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Exibição da nudez da alma

Eu queria não sentir culpa ou vergonha em me exibir.

No fundo, eu admiro as pessoas que se desnudam, ou se travestem, ou se fantasiam nas redes sociais.

É preciso coragem para tudo, até para se esconder.

Uma fogueira de cada papel que sou

Com um saco de problemas, carregando-o nas costas, você aprende também que em sendo um commodity, um dia seu papel perde o valor.

Há vontades imediatas: transformo-me com todo esse material numa enorme fogueira, alimento um fogo e me apago na mesma medida. Uso catalizador para isto ou deixo a coisa ser lenta e gradual.

O papel não se torna carvão, vira uma cinza cheia de qualquer coisa que não serve nem para adubo.

Para onde se vai nesse caso? Deixo as traças consumirem aos poucos o conhecimento adquirido, a vontade de levantar pela manhã? Sendo uma pilha de papel, a coisa será mais demorada, mas um dia também se tornará imprestável, uma montanha de imprestável quantidade de qualquer coisa, escrita, dita, desajeitada.

Vale dedetizar? Vale sair da bolsa de valores?

O que se paga? O que se ganha?

Cada papel é uma persona, uma ou muitas escolhas. Um script depois de estudado, montado e atuado também vira lixo.
Se não tenho vocação para colecionadora, estou fadada a algo que ninguém me disse o que é, e no fundo esse não saber, sem ler o papel, sem ensaio, na crueza do dia a dia me dá uma dor.

Ai a minha finca marítima, como te desejo.