quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sei lá o que pode se chamar isso tudo

Hoje eu me vi fazendo umas coisas, que costumeiramente eu não gostava.

As coisas da casa, a limpeza principalmente, depois que eu fui morar sozinha, ganharam um status de chatice na minha vida.

Mas hoje aconteceu um negócio estranho. Eu me vi (percebi) fazendo coisas que, normalmente, não gostaria nem um pouco. Mas eu fiz porque eu, talvez, sabia que outra pessoa, se sentisse feliz por isso.

Eu aprendi que ver o outro feliz, às vezes, sobrepõe o que a gente gosta de fazer. Parece uma puta submissão, mas a gente não controla o gosto dos outros, mas controlamos o nosso gosto, e fazer esta escolha faz parte dele, desde que não se sinta, ao longo do tempo, enfadado, arrependido.

Assumir, faz parte.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O descanço do elefante

O elefante senta sobre um peito e resolve descansar neste espacinho por período de tempo que para o que o recebe é interminável.

Todos os ossinhos vão sendo lentamente amassados, os mais frágeis se estalam e buscam reconforto. Depois de certa hora começam as dores lancinantes e as primeiras rachaduras.

O passo posterior é um ajeitamento do elefante que começa a se sentir desconfortável de estar sempre na mesma posição. Cada movimento é como um objeto cortante que transpassa qualquer sobra de vontade de permanecer vivo.

A dor generalizada se instala e resignado o ser que recebe em seu peito um elefante começa a delirar. São percepções alteradas da realidade, um misto de importâncias e desimportâncias que se tornam urgentes de serem resolvidas. A cabeça está numa situação física de impotência, mas o pensamento para não mais corroborar com a dor sai a caminhar, deixando um corpo sob um elefante.

Olhar de fora esta cena lhe parece inadmissível e o pensamento chega a fingir que não é ele que está ali embaixo: - pobre pessoa com elefante no peito, deve sofrer, pensa o pensamento.


domingo, 29 de abril de 2012

Instagram e o cocô

Enquanto você posta a comidinha do dia no seu Instagram, não posso deixar de pensar no seu próximo bolo fecal.

sábado, 28 de abril de 2012

O amor, uma bênção

Também celebro o amor.

Considero como algo divino, uma bênção dada aos escolhidos (tenham eles se comportado bem ou mal).

Viver um grande amor, respirar um grande amor, ter cada célula do corpo a vibrar por um grande amor é uma prova de divindade.

Parece que existe uma luz especial naqueles que se entregam ao amor.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Exibição da nudez da alma

Eu queria não sentir culpa ou vergonha em me exibir.

No fundo, eu admiro as pessoas que se desnudam, ou se travestem, ou se fantasiam nas redes sociais.

É preciso coragem para tudo, até para se esconder.

Uma fogueira de cada papel que sou

Com um saco de problemas, carregando-o nas costas, você aprende também que em sendo um commodity, um dia seu papel perde o valor.

Há vontades imediatas: transformo-me com todo esse material numa enorme fogueira, alimento um fogo e me apago na mesma medida. Uso catalizador para isto ou deixo a coisa ser lenta e gradual.

O papel não se torna carvão, vira uma cinza cheia de qualquer coisa que não serve nem para adubo.

Para onde se vai nesse caso? Deixo as traças consumirem aos poucos o conhecimento adquirido, a vontade de levantar pela manhã? Sendo uma pilha de papel, a coisa será mais demorada, mas um dia também se tornará imprestável, uma montanha de imprestável quantidade de qualquer coisa, escrita, dita, desajeitada.

Vale dedetizar? Vale sair da bolsa de valores?

O que se paga? O que se ganha?

Cada papel é uma persona, uma ou muitas escolhas. Um script depois de estudado, montado e atuado também vira lixo.
Se não tenho vocação para colecionadora, estou fadada a algo que ninguém me disse o que é, e no fundo esse não saber, sem ler o papel, sem ensaio, na crueza do dia a dia me dá uma dor.

Ai a minha finca marítima, como te desejo.