Beber
Havia uma menina morando naquela árvore, desde há muito tempo.
Ela era a detentora da eternidade. Descobriu a fórmula aos dezesseis anos.
Desde então, resolvera habitar a árvore. Porque era egoísta e queria ser menina para sempre.
Um dia, um belo rapaz, que havia viajado muito, muito, muito, resolveu descansar ao pé da árvore. A menina teve um susto. Vários anos se passaram que alguém resolvia parar naquele caminho.
Enquanto o rapaz dormia, ela aproximou-se curiosa. O rosto era bonito. A menina sentiu que alguma coisa estava diferente.
Quanto mais observava o rapaz, mais diferente ela se sentia. Todo ele era bonito. Medrou.
Lembrou-se da fórmula. Voltou para protegê-la. A menina não contava que essa sensação diferente fosse ser tão insistente, que mesmo longe do rapaz ela continuava ali, mostrando que existia.
Ela percebeu que o rapaz estava despertando. Parou na frente dele.
Faz quatorze anos que eu vivo nesta árvore. Eu descobri a eternidade, mas sou egoísta e decidi tê-la só para mim.
O rapaz não entendia. Mas decidiu ficar ali até a menina terminar de falar. Estava curioso.
Quando te vi, lembrei de um tempo em que eu sonhava. E lembrei de como eu me sentia feliz naquele tempo. E decidi que eu quero dividir a minha eternidade, seja ela pelo tempo que for.
A menina trazia consigo uma pequena garrafa com as raras gotas da fórmula. A cada gota que ele bebesse, ela deixaria de continuar sendo uma menina. E ela sabia disto.
Sem pestanejar,entregou ao rapaz uma pequena garrafa com as raras gotas da fórmula.
Comer
Um canibal bateu em minha porta. Era um tipo sexy, destes que se escondem sob os óculos. Me contou uma história bonita e eu o convidei para entrar.
Ai que sedução! Ai que abuso!
Comeu meu cérebro, que assim passou a funcionar lesado. Mandou uma ordem direta para o meu coração.
Apaixone-se! Bradou o cérebro taxativo.
Descobri mais tarde que não eram as partes não comidas do cérebro que haviam emitido tal sentença. Foi a saliva do canibal que envenenou meus pensamentos e obrigou meu coração a oferecer a ele meu corpo inteiro para mais um banquete.
Digerir
E agora bonito, que eu faço?
Nenhum comentário:
Postar um comentário